domingo, 5 de junho de 2011

Mulher Mineira (Felipe Simpatia)

Ah, a mulher mineira!
A mulher de Minas tem um quê
Que a distingue de todas as outras brasileiras,
Um tanto quanto brejeira,
Tem um olhar desconfiado
Que não olha para o lado
Quando desfila pela rua.
Sabe que é linda, mas fica na sua,
Finge que toda a nossa cobiça
Não é para ela, e, sem querer, enfeitiça
Com um simples sorriso discreto.
Tá certo,
A mulher mineira é cheia de curvas
Como as nossas montanhas,
E também é repleta de manhas,
Que eu prefiro classificar
Como uma maneira estranhar de amar:
Polvilhando timidez.
Por sua vez,
A mulher de Minas sabe fazer um carinho
Com dengo, mas tudo com um jeitinho
Molengo, sem parecer vulgar.
Não posso deixar de apreciar
A mulher mineira quando caminha,
Olhos voltados para o nada, rindo sozinha
E sonhando com alguma paixão.
Dói-me o coração toda vez
que escuto uma mineira falando,
Na sua versão particular do português:
"Gostandocê!"; e fica me olhando,
Com as bochechas rubras, as mãos tremendo.
E então, quando
É preciso dizer um não, fala devagar,
Fica remoendo, vai desconversando,
Para tentar não magoar.
Comparar? Não dá. Se tem coisa que Minas
Tem melhor, além do pão-de-queijo,
São as meninas: com seu sotaque, seu beijo,
Brejeirice, bobeira, seu chamego aos montes.
Agora, acima de tudo, seu amor entrecortado
Pelos horizontes, que causa nos corações
Mais fracos todo tipo de confusões.

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